Cristina Gonçalves

Recorda quem És! Vive a tua Verdade! Sê tu mesmo!

bookmark bookmark
crisgoncalves On 24 Dezembro 2010

Conta a história que havia um viajante, um ser que decidiu empreender uma viagem exterior sem rumo nem destino com objectivo de se encontrar interiormente, de encontrar a sua  VERDADE.

Percorreu muitas cidades e povos, culturas e civilizações. De cada uma delas trazia um bocadinho e deixava algo de si. Isso enriquecia-o e levava-o a crescer cada vez mais na sua busca interna.

Numa das povoações encontrou um mestre sufi, dizia-se que era das pessoas mais sábias que alguma vez tinham visto. Teve o privilégio de conversar horas e horas com este sábio, e explicar-lhe o objectivo da sua viagem e as conquistas que já tinha conseguido até a altura. O mestre sugeriu-lhe que se dirige-se para norte, pois iria ter a oportunidade de encontrar árvores de fruto jamais vistas. Árvores frondosas, de copas gigantes e sombras esplendorosas. Mas o mais fantástico destas árvores eram os seus magníficos e suculentos frutos. Garantiu o mestre que jamais provara nada igual. Estas árvores cresciam em terra sagrada o que fazia dos seus frutos um manjar nunca antes experimentado. No entanto, fez uma referência muito importante: apesar de todas as árvores darem frutos magníficos, havia uma que não tinha comparação, o fruto daquela árvore era deveras especial e único. Já que se dirigia para tão longe valeria mesmo a pena provar o fruto desta árvore em especial. Era uma árvore que se distinguia das outras pela sua altivez, grandiosidade e formato fora do comum, ele haveria de reconhecê-la mal a visse…

O viajante seguiu caminho para Norte conforme sugerido, muito empolgado com o que haveria de encontrar nesse sítio sagrado e no fruto que provaria dessa árvore única. Dizia-se que quem tivesse a sorte de provar esses frutos experimentaria a felicidade eterna, e era isso que o viajante mais desesperava em encontrar. Depois de caminhar durante dias e dias, finalmente chegou a esse mágico sítio, de facto nunca tinha sentido nada assim, a energia da união dessas árvores inundava o vale onde se encontravam, transmitindo uma sensação de paz profunda. Percebeu logo qual era a árvore especial, pois claramente se destacava das outras. Sentiu um arrepio de emoção e correu até à mesma, sentido quase o sabor daquele fruto magnífico que tanto ouvira falar. Prostrado frente à árvore, não podia acreditar no que via. Os frutos estavam todos verdes, nem um estava no ponto ideal de ser comido…como é que o sábio o tinha enviado até esta árvore sabendo que não poderia provar o fruto??? Porque lhe tinha criado tanta ilusão, para depois cair numa desilusão profunda???

Sentou-se debaixo da mesma e acalmou um pouco, pensou e tornou a pensar. Qual seria o ensinamento? O que deveria fazer? Decidiu que se tinha sido enviado e a viagem tinha sido tão longa, não partiria sem provar o tal fruto, mesmo estando verde, este era um fruto muito especial para ser desperdiçado…

Colheu um dos frutos da árvore e trincou com toda a vontade que trazia guardada, de dias e dias, de caminhada e expectativa… o que se seguiu não se conseguia explicar por palavras… ninguém tinha presenciado algo assim… o amargo do fruto era de tal ordem que o viajante caiu duro no chão, todo o seu corpo amargara e tornou-se rígido. Pensou-se que esse corpo nunca mais recuperaria de tal choque, que este teria sido o ultimo fruto que o viajante, que procurava a sua verdade iria provar em vida, afinal teria valido a pena tanta procura e persistência!!!??? levou algumas horas mas conseguiu recompor-se, levantar-se…e, por fim,  tentar perceber o que tinha acontecido. Pensou e voltou a pensar, afinal pensar era algo que ele conseguia fazer muito bem e no estado debilitado que se encontrava, era de facto a única coisa que ele conseguia fazer na perfeição. Chegou à SUA conclusão:  Não adianta experimentar o fruto do paraíso se este ainda não estiver pronto para ser comido. A sua textura, paladar e vitaminas ainda não estão concluídos, e não podem ser aproveitados. Está em fase de crescimento e apenas quando estiver pronto poderá proporcionar os benefícios tão falados por todas as aldeias e sábios…

“Tudo tem um tempo certo e não adianta acelerar o processo, até pelo contrário, contrariar e acelerar o processo envenena” exclamou o viajante, este era o grande ensinamento…

Olhou em redor e percebeu que existiam outras árvores com frutos já maduros e suculentos, prontos a ser colhidos. Dirigiu-se a uma delas, sem escolher muito, pois todas pareciam iguais, provou o fruto e descobriu o manjar dos Deuses!!!!Sentiu uma felicidade profunda!!!

Nunca saberá qual seria a diferença entre o fruto maravilhoso que teve o privilégio de provar e o da árvore especial, mas sabia que acima de tudo tinha que adaptar-se às circunstâncias externas do bosque e deixar-se fluir com aquilo que a natureza lhe estava a oferecer…

Cristina Gonçalves

Artigos relacionados:

Categories: CrisGonçalves, HISTÓRIAS

Uma Resposta

  1. [...] e isso fez-me recordar uma metáfora que escrevi há uns anos atrás sobre este tema – O FRUTO VERDE e que espero possa ajudar e inspirar outros a trabalhar internamente na paciência e confiança, [...]

Comente o artigo