SABER CELEBRAR A VIDA!

Há alturas que por mais desgastados ou tristes que possamos estar, é necessário festejar.

Esses momentos de celebração geralmente estão associados a rituais, tais como casamentos, baptizados, aniversários, inaugurações, natal, fim de ano, etc.  Momentos que precisamos marcar no nosso inconsciente, para nos fazer lembrar algo que geralmente esquecemos.

Durante muito tempo achei estes rituais inúteis e patéticos, parecia-me que todos os faziam porque a sociedade assim impunha, e se não participássemos seríamos excluídos ou no mínimo considerados estranhos. Recusei-me a pertencer à maioria e fazer o que todos faziam, e evitava festejar o que todos festejavam. Fazia festa de natal no dia seguinte. Afinal, porquê tinha que ser naquele dia obrigatoriamente? E se só me apetece-se trocar prendas no dia seguinte? festejava o meu aniversário se me apetece-se e de preferência num dia diferente do real dia em que nasci, apenas para contrariar…

O meu pai dizia-me sempre que os rituais eram importantes na vida, e eu achava que era a sua visão tradicionalista que proferia essas palavras, o que me fazia discordar profundamente das mesmas pois não lhes via um sentido lógico, e era contrário ao ideal de liberdade e livre arbítrio que perseguia.

Hoje…passados uns bons anos e uns bons trambolhões, aprendi algumas coisas e continuo a aprender outras tantas que me enriquecem e fazem perceber o que realmente é importante para mim e porque.

Aprendi que festejar é importante, não porque todos o fazem, mas sim porque torna-se um procedimento de evidência de sucesso na área que estamos a festejar. Se não festejarmos os nossos pequenos sucessos, o nosso inconsciente e consciente esquecem-se do facto, e temos a sensação de nunca atingir nada verdadeiramente importante na vida.

Festejo para juntar as pessoas que gosto e me fazem ser uma pessoa melhor, deste modo convivo no natal e aniversário com quem quero conviver e não com quem “sou obrigada” a conviver. Assim sim, o ritual passou a fazer mais sentido.

Festejo acima de tudo para mostrar a mim mesma que sou capaz de atingir resultados de sonho na minha vida, e que apesar dos pequenos passos que vamos dando, estamos sempre mais longe do que quando partimos.

Assim sendo…

Este ano celebro novamente o meu aniversário. Têm sido 38 anos de alegrias e tristezas, aprendizagem e estupidez, confusões e clarezas, solidão e companhia, mas acima de tudo, de muita evolução e crescimento. O que “sou” hoje, em comparação com o que fui ontem, é motivo de orgulho para mim mesma.

Celebro também 1 ano de uma conquista pessoal. O lançamento deste blog onde tenho oportunidade de partilhar um pouco do que sou, e poder ajudar quem passa pelos mesmos desafios. Venci insegurança, medos, receio de expor-me, receio dos outros não gostarem, e de não ter nada muito interessante para partilhar e limitei-me a criar. Ainda está muito aquém do que pretendo, mas dei o passo, e isso é o mais importante para vencer o medo.

Celebro a conquista de mais um sonho pessoal. Encontrar e viver com um companheiro de alma, que fosse a pessoa certa para mim. Encontrei o amor mais equilibrado da minha vida, e isso é consequência do trabalho pessoal que fiz em mim própria. Obriguei-me a gostar de mim mesma sem necessidade de alguém externo que me trouxe-se aquilo que não conseguia encontrar sozinha. Obriguei-me a olhar para as partes sombra dentro mim (medos, inseguranças, padrões destrutivos) e enquanto o fazia, redescobria-me e percebia que não precisava ninguém para ser feliz, apenas amar-me como sou. E quando consegui fazer isso, surgiu esta pessoa que veio iluminar a minha vida e ajudar-me a ser ainda mais do que consigo ser sozinha.

Celebro a presença na minha vida de amigos especiais, e minha linda família nuclear. Nos momentos de maior solidão do meu ser (e são bastantes) estão sempre presentes os meus “anjos na terra” a estenderem a mão. Sem estas pessoas que me acompanham e ajudam a levantar quando caio, seria muito difícil continuar o caminho de forma minimamente estruturada.

E é assim que vejo hoje a importância de celebrar.

Não é necessária uma data “importante” para o fazer, mas nestas datas lembramo-nos da importância do fazer.

Aproveitem e celebrem também! Celebrem todas as pequenas vitórias que vos fazem ser melhores do que já foram, e que vos traz combustível para continuarem o caminho para se tornarem melhores do que são hoje.

Cristina Gonçalves

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